É uma das perguntas mais frequentes sobre as comunidades surdas, e sua resposta geralmente surpreende. Então, quantas línguas de sinais existem no mundo?
Há mais de 300, e esse número é uma estimativa baixa, pois algumas ainda não foram documentadas por linguistas.
Essa diversidade contradiz a intuição. Como os sinais são gestuais, deveriam ser compreendidos em qualquer lugar. A realidade é outra: dois sinalizadores de países diferentes geralmente não se entendem espontaneamente.
A explicação está na origem dessas línguas. Elas não foram inventadas para transcrever uma língua oral. São línguas naturais, surgidas espontaneamente nas comunidades surdas, que evoluíram como as línguas faladas: por contato, isolamento e transmissão entre gerações.
Um ponto merece destaque, pois muitas vezes desconcerta. Dois países que compartilham a mesma língua oral podem ter línguas de sinais totalmente diferentes. Por outro lado, duas línguas de sinais separadas por milhares de quilômetros podem se assemelhar fortemente se compartilharem uma origem histórica comum.
As filiações seguem, portanto, sua própria árvore genealógica, sem relação com a das línguas faladas.
Note também que a diversidade existe dentro de um mesmo país, com variantes regionais comparáveis aos sotaques e expressões locais de uma língua oral.
Neste artigo, detalhamos essa contagem e o que explica essa diversidade.
Quais são as principais línguas de sinais no mundo?
Aqui estão as mais faladas e documentadas, classificadas por região geográfica.
América do Norte
ASL, língua de sinais americana, usada nos Estados Unidos e no Canadá anglófono
LSQ, língua de sinais quebequense
LSM, língua de sinais mexicana
Europa Ocidental
LSF, língua de sinais francesa
BSL, língua de sinais britânica
DGS, língua de sinais alemã
LIS, língua de sinais italiana
LSE, língua de sinais espanhola
NGT, língua de sinais neerlandesa
VGT e LSFB, as duas línguas de sinais da Bélgica
DSGS, língua de sinais suíço-alemã
ÖGS, língua de sinais austríaca
LGP, língua de sinais portuguesa
ISL, língua de sinais irlandesa
Europa do Norte e Leste
SSL, língua de sinais sueca
NTS, língua de sinais norueguesa
DTS, língua de sinais dinamarquesa
FinSL, língua de sinais finlandesa
RSL, língua de sinais russa
PJM, língua de sinais polonesa
Ásia
CSL, língua de sinais chinesa
JSL, língua de sinais japonesa
KSL, língua de sinais coreana
IPSL, língua de sinais indo-paquistanesa
TSL, língua de sinais taiwanesa
VSL, língua de sinais vietnamita
América Latina
Libras, língua de sinais brasileira
LSA, língua de sinais argentina
LSCh, língua de sinais chilena
LSC, língua de sinais colombiana
África e Oriente Médio
SASL, língua de sinais sul-africana
ArSL, línguas de sinais árabes, variando fortemente entre os países
ISL, língua de sinais israelense
Oceania
Auslan, língua de sinais australiana
NZSL, língua de sinais neozelandesa
Entre essas línguas, a IPSL provavelmente está entre as mais usadas no mundo em número de falantes, considerando a população que cobre.
A comparação entre a ASL e a BSL continua sendo a mais instrutiva. Os Estados Unidos e o Reino Unido compartilham o inglês, mas suas línguas de sinais são mutuamente incompreensíveis. Uma soletra com uma mão, a outra com duas.
Note também que alguns países têm várias línguas de sinais, como a Bélgica, enquanto outros compartilham uma única além de suas fronteiras.
Por que existem tantas línguas de sinais?
A resposta está em um fato que muitos ignoram: essas línguas não foram inventadas. Elas surgiram naturalmente, exatamente como as línguas faladas.
Em qualquer lugar onde pessoas surdas se reuniram por um longo período, uma língua emergiu espontaneamente para atender à necessidade de comunicação. Essas emergências ocorreram independentemente umas das outras, em diferentes continentes e épocas.
Portanto, não há razão para que os sinais se assemelhem, assim como as palavras de uma língua oral não se assemelham às de outra.
Três fatores moldaram essa diversidade.
Primeiro, o isolamento geográfico. As comunidades surdas viveram por muito tempo sem contato internacional, o que permitiu que cada língua evoluísse separadamente por gerações.
Em seguida, as escolas para surdos, que desempenharam um papel decisivo. Cada instituição constituiu um centro onde uma língua se estabilizou e foi transmitida, e as filiações entre línguas frequentemente seguem as relações históricas entre essas instituições.
Por fim, a cultura local. Os sinais refletem realidades próprias de cada sociedade: gestos convencionais, objetos do cotidiano, referências compartilhadas e formas de designar relações familiares.
Um ponto merece ser esclarecido. Essas línguas não são traduções gestuais das línguas orais. Elas possuem sua própria gramática, muitas vezes muito distante da língua falada do mesmo país.
Existe uma língua de sinais internacional?
Sim, mas não é uma língua completa. Trata-se de um sistema de contato chamado International Sign, usado em encontros entre sinalizadores de diferentes países.
A distinção merece ser compreendida, pois muda tudo.
Uma língua possui uma gramática estável, um vocabulário fixo e falantes nativos que a adquirem na infância. O International Sign não preenche nenhum desses três critérios.
Seu vocabulário permanece limitado e varia conforme os participantes do intercâmbio. Sua gramática flutua, cada sinalizador a adapta a partir de sua própria língua. E ninguém a aprende como língua materna, pois é sempre adquirida como complemento de uma língua nacional.
Seu funcionamento baseia-se amplamente na iconicidade, ou seja, em sinais cuja forma evoca diretamente o significado. Os sinalizadores combinam gestos descritivos, mímicas e empréstimos de suas línguas respectivas.
Seu uso concentra-se em contextos específicos: congressos internacionais, encontros esportivos, reuniões de organizações representativas e trocas informais entre viajantes surdos.
Uma limitação estrutural merece ser destacada. O International Sign funciona para trocas concretas e factuais, muito menos para conversas abstratas ou nuançadas.
Um último ponto é alvo de críticas recorrentes dentro da comunidade surda: esse sistema permanece fortemente influenciado pelas línguas ocidentais, o que desfavorece os sinalizadores de outras regiões do mundo.
As línguas de sinais variam dentro de um país?
Sim, e essas variações são tão marcantes quanto os sotaques e expressões regionais de uma língua falada.
Um mesmo conceito pode ser sinalizado de forma diferente de uma cidade para outra, e essas diferenças têm um nome: as variantes regionais.
Elas afetam principalmente o vocabulário cotidiano. As cores, os dias da semana, os alimentos e o vocabulário escolar estão entre os mais variáveis. A gramática, no entanto, permanece estável em todo o território, o que preserva a intercompreensão.
Três fatores explicam essa diversidade interna.
Primeiro, as escolas para surdos, e esse é o principal fator histórico. Cada instituição constituiu um centro linguístico onde sinais se fixaram localmente antes de se difundirem na região circundante.
Em seguida, as gerações. Os sinalizadores mais velhos e os jovens nem sempre usam os mesmos sinais, especialmente no vocabulário tecnológico ou social que evolui rapidamente.
Por fim, as comunidades locais, cada uma desenvolvendo seus próprios usos e expressões.
Um ponto tranquilizador para os aprendizes: essas variantes não constituem um obstáculo. Os sinalizadores se adaptam naturalmente e pedem esclarecimentos quando um sinal lhes é desconhecido.
Uma consequência prática merece ser conhecida. Se você perceber que um sinal difere daquele que lhe foi ensinado, não corrija seu interlocutor. Observe os usos ao seu redor e adapte-se.
Conclusão: uma diversidade comparável às línguas faladas
Há mais de 300 línguas de sinais no mundo, e esse número ainda é uma estimativa baixa, pois algumas ainda não foram documentadas.
Primeiro, lembre-se do que explica essa diversidade. Essas línguas não foram inventadas para transcrever uma língua oral. Elas surgiram naturalmente nas comunidades surdas, independentemente umas das outras, em diferentes continentes e épocas.
Portanto, não havia razão para que se assemelhassem.
Em seguida, lembre-se do ponto que mais surpreende. Dois países que compartilham a mesma língua oral podem ter línguas de sinais mutuamente incompreensíveis. Por outro lado, duas línguas separadas por milhares de quilômetros podem se assemelhar fortemente se compartilharem uma origem histórica comum.
As filiações seguem sua própria árvore genealógica, sem relação com a das línguas faladas.
Quanto ao International Sign, trate-o pelo que ele é. Um sistema de contato útil em encontros internacionais, mas não uma língua completa: vocabulário limitado, gramática flutuante e nenhum falante nativo.
Note também que a diversidade existe dentro de um mesmo país, com variantes regionais originadas principalmente da história das escolas para surdos.
O que deve ser lembrado, no fundo, vai além da simples contagem. As línguas de sinais são línguas naturais completas, com sua própria gramática, história e evolução. Sua diversidade não é um defeito de organização, é a prova de sua autenticidade linguística.
Nenhuma língua viva é universal, e estas não são exceção.
